ANTUNES, Celso. Como transformar informações em conhecimento. 4ª edição. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
O autor enfatiza o pode dos professores de modelar os seus alunos. Para ele, “educar significa modelar o presente e lançar as bases para o futuro”. (ANTUNES, 2003, p. 7)
Ele chama a atenção que para isso o professor precisa de princípios norteadores, considerando que a sala de aula necessita ser a oficina do amanhã.
A proposta do livro é apresentar normas e procedimentos, que em sua visão podem transformar informações em conhecimento.
Assim, partindo da idéia de que vivemos um novo paradigma ele aponta dois aspectos que justificam sua proposta:
Primeiro
• A dimensão que ganha à informação altera o papel da escola e do professor;
• Tais informações precisam ser transformadas em conhecimentos, habilidades, práticas cívicas e, enfim, sabedoria.
Segundo
• Estudo da mente humana e dos meios que utiliza para assimilar conhecimentos e construir relações entre ação do sujeito sobre o mundo
Para Antunes (2003) esses dois aspectos exigem uma nova postura do professor, que de fato deve assumir o papel de medializador entre as informações e os alunos; e entre o espaço escolar e o ato pedagógico.
Nessa perspectiva, ele assinala como missão do professor:
“(...) um novo professor que oriente seus alunos como colher informações, de que forma organizá-las mentalmente, como definir sua hierarquia e, sobretudo, de que maneira transformá-las em conhecimento e, dessa maneira, ampliar suas inteligências”. (ANTUNES, 2003, p. 12)
“(...) se transformar em um analista de símbolos e linguagens, um descobridor de sentidos nas informações e, também, o profissional essencial do despertar das relações interpessoais”. (idem p. 12/13)
Essa missão do professor deve, na visão do autor, devem está presentes na aula e em seguida ele apresenta os nove passos que devem integrar uma aula.
É significativo lembrar que para ele, aula tem um sentido mais amplo e, portanto, não se restringe aos 40 e/ou 50 minutos, mas, ao tempo necessário para dá conta do estudo de uma dada temática e/ou conteúdo.
OS NOVE PASSOS
Passo 1
• Empregar em todas as oportunidades a aprendizagem significativa (David Ausubel)
“(...) é o processo pelo qual uma nova informação se relaciona de maneira arbitrária e substantiva do aprendiz.”(NATUNES, 2003, p. 15)
Para o autor, “(...) o professor necessita ser um atento pesquisador dos saberes que o aluno possui (...) e fazer dos mesmos ‘ganchos’ para os temas que ensina”.(ANTUNES, 2003, p. 17)
Na verdade, “As ideias-âncora com as quais deve o professor organizar os ensinamentos de seus alunos deveriam vir de seu próprio universo vocabular, da linguagem com que expressam seus sonhos, inquietações, experiências e alegrias”. (ANTUNES, 2003, p. 17)
Passo 2
• Uso (aulas e provas) das habilidades operatórias
“A aprendizagem se organiza de uma maneira mais completa no cérebro de uma pessoa quando solicita que ação sobre o conhecimento e esta se manifesta mais organizada quando atravessa diferentes habilidades operatórias”. (ANTUNES, 2003, p. 18)
Ou seja, chama a atenção para a relação:
ALUNO DISCUSSÃO (Outros/Consigo mesmo) CONCEITOS
“O professor, ao invés de dar a matéria expondo oralmente o saber como uma propriedade pessoal que se transfere, deve ao contrário organizar o trabalho dos alunos, como um facilitador, explicando, propondo habilidades diferentes e desse modo levando o aluno a se construir como agente de sua própria aprendizagem.” (ANTUNES, 2003, p. 19)
Passo 3
Re+Leitura das informações através do manejo consciente do universo vocabular do estudante. Pensar é agir sobre o objeto e transformá-lo.
Releitura
“(...) significa a decomposição do texto, um verdadeiro mastigar de cada palavra, para que se compreendam as idéias que abriga e sua hierarquia, as sintaxes que propõe e sua harmonia, as emoções que desperta e a inevitável associação que essa leitura trás a tudo quanto sabemos e conhecemos.” (ANTUNES, 2003, p. 22)
“Toda releitura deve se constituir em um estímulo à dúvida, um desenvolvimento do raciocínio intuitivo e dedutivo, uma exploração de caráter convergente ou divergente”.(ANTUNES, 2003, p. 23)
Passo 5
A eleição dos macroobjetivos de cada capítulo ou eixo temático
“(...) com criticidade e consciência, eleja entre tantos tópicos os mais significativos para a pessoa do aluno, no ambiente em que vive.” (ANTUNES, 2003, p. 24)
“O professor (...) conhecendo esse aluno e sua circunstância, selecionar (...) [o] que é imprescindível, separando-o do que é interessante; a que é útil e prática, da que é apenas curiosa e transitória”.(ANTUNES, 2003, p. 24)
Professor OBJETIVOS ESSENCIAIS QUE BUSCA ALCANÇAR
Passo 6
A contextualização espacial e temporal de todos os temas trabalhados
“(...) explorar em todas as aulas as contextualizações, fazendo com que o aluno aprenda o distante com incontestável associação ao próximo; que perceba que sua realidade e a realidade de seu meio é o cenário onde se aplicam os fundamentos aprendidos em outros ambientes ou em outros tempos”.(ANTUNES, 2003, p. 27)
“Inútil pensar que esses processos existam prontos em algum lugar para o uso do professor. É essencial que este, conhecendo seus alunos, para e com seus alunos, descubra e construa os exemplos das contextualizações que proporá.” (ANTUNES, 2003, p. 27)
Passo 7
O uso na sala de aula dos princípios da reversibilidade (do começo ao fim e do fim ao começo) e da divergência (pensamento divergente e convergente)
“Todo ato pedagógico requer a mentalidade aberta, a atitude investigativa, o desenvolvimento da capacidade de problematizar mais que de responder, o desafio à dúvida do aluno e nesse caminhar é sempre muito importante o uso da reversibilidade”.(ANTUNES, 2003, p. 28)
Pensamento Convergente
• Aquele que reúne diferentes idéias em torno de um fato
Pensamento Divergente
• Utiliza-se do fato para explorar diferentes idéias
Passo 8
Uma avaliação pelo ótimo
“(...) a aprendizagem se constrói não por acúmulo inatista, mas por maleabilidade na maneira de encarar um problema e pensar soluções”.(ANTUNES, 2003, p. 30)
“O único paradigma de uma avaliação consciente é o progresso que o aluno revela no uso de conexões, no emprego de habilidades, no poder de construir novas contextualizações, na sensibilidade para perceber linguagens diferentes”.(ANTUNES, 2003, p. 30)
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO
• PERMANENTE
• APRESENTA CARÁTER DIAGNÓSTICO
“O acompanhamento do aluno necessita estar centralizado nele mesmo, e seu portfólio registra os passos efetivos de seu progresso”.(ANTUNES, 2003, p. 31)
Distância (VIGOTSKY)
Nível de conhecimento do aluno (independente)
Nível de desenvolvimento e sua capacidade (Orientado)
Passo 9
O uso de estratégias pedagógica empolgantes e diversificada
“É importante que o professor conheça outras estratégias de ensino e saiba alterná-las com a aula expositiva”.(Antunes, 2003, P. 32)
Silvana Moura da Silva
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